quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Metade





Oh! Vida frágil e efêmera
Desnumbrante e dolorida
Porquê não o poupaste?

.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.

Sua ausência me fere como uma seta
Lembranças que somente eu posso ter
Pois ninguém mais sabe do pôr-do-sol

Três...
Nós éramos tão imaturos
Nosso orgulho tão pesado
E o tempo tão impiedoso
Que não pude nem me arrepender

Dois...
Éramos tão imprudentes
Nossas escolhas, imediatas
E o tempo tão impiedoso
Que você nem pode me ouvir gritando

Um...
Agora me resta deixar-te um rosa vermelha
Igual a que entreguei nas tuas mãos
Naquele dia tão azul, tão quente...
Que tua morte me rasgou por dentro

Porquê eu não consegui impedir!?
Porquê não consigo voltar dois anos!?
E não estar no celular mas ao teu lado
Impedindo, te curando... salvando-te

Ah, lágrima que derramo cure a dor
De se sentir tão divida, tão só
Por causa de uma vida perdida no tempo
Na velocidade dos ponteiros do relógio

Te trago á vida em um segundo
Quando me lembro de tua risada
Mas o segundo se esvai e percebo
Que o restou foi apenas um lugar vazio

Um João é que permanece na memória
Dos teus amigos, amados e pessoas
Mas pra mim você será sempre metade.



Leitores, hoje fazem 2 anos de morte de uma das pessoa mais inteligentes, apaixonantes, orgulhosas e únicas que pude conhecer em todo meu tempo de efêmera existência. Poucos de vocês entenderam o motivo de meu luto. De qualquer forma gostaria de prestar uma homenagem à João Luiz Leal do Nascimento, pois a vida é finita mas as palavras jamais!

Mento, sinto sua falta.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Jogos - Giochi



Vi as peças se moverem pelo tablado
Mas o que mais eu poderia fazer?
Ninguém é o que se demonstra ser
Estou ficando sem jogadas neste turno...

Nada realmente nos pertence
E nós, tudo fingimos saber
Mas no final o que nos resta
É lembrar e saber ganhar/perder

Eu sei que de certa forma ainda dói
E mesmo que eu negasse seria tolice
Porquê nada foi tão real quanto a dor
E sabemos que nunca morrerei de mesmice

Karma ou destino, pouco importa
Todos seguimos da melhor forma
E nunca gostaria de fechar esta porta
Mas o risco é a diferença entre a derrota e a vitória

Jogamos os dados e cruzamos os dedos
Resta apenas um rei e uma rainha
Minha última tacada, ausência de regras...
E nós sabemos que no final só restará um!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tempos modernos




Saudades de tempos mais simples
Onde preocupações evaporavam
Onde a noite era minha amiga
E onde o relógio corria por mim

Saudades de tempos mais doces
Que a minha velocidade era a do vento
Que tudo se concertava com o riso
E nenhuma ferida era tão eterna

Saudades de tempos que não havia tanto tempo
E mesmo que houvesse, este era vívido

Tempos que havia a doçura de uma criança

Num mente mais inconsequente e feliz


Meu tempo hoje escoa como se fosse areia
Cai por entre meus dedos abertos
E inerte diante disso apenas espero
Vivendo novos tempos que ainda desconheço