quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Pétalas de navalha
Você deveria saber...
Eu não falaria,
Nunca avisaria
Que rosas cortam.
Você julgava-me
conhecer toda,
como um mapa
marcado com um x.
Você deveria saber
Que ninguém quebra
meu pequeno coração,
Ninguém...
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Folha ao vento
Escamo sem palavras,
Veias saltam a pele
E eu continuo a moral
Neste universo irracional.
Um pé ante outro pé,
Desgraça se procede
E os ecos se fortificam
No santuário dos mentirosos.
Mais olhares furiosos
Diante da imprudência,
Diante da inocência
Das unhas trincadas,
Ensanguentadas.
Apenas sede na madrugada,
Um sonho que se foi há,
Um sonho que se quebrou por,
Sem futuro no eco, risadas.
Nuvens formam-se na loucura
Da luz fosforescente da noite,
Algo que você não entenderia,
Algo que você esqueceu-ria...
sábado, 22 de junho de 2013
Z
Sozinha na selva de memórias
Eu tento em vão guardar-te
Como um bem precioso
Protegido de seu destino.
Um vazio novo arranha
Dentro de minhas entranhas,
Tento não rasgar em partes
Muito pequenas para colar.
Mas como não se desfazer
Diante da fatal fragilidade
Que aflige quem amamos
Partindo nosso laço, presença?
Ainda me sinto como aquela
Que costumava comer romãs
Sentada no antigo muro de Berlim
Desafiando as leis da física e modos.
Sua presença eternizada nas veias,
Será a doce inspiração dos poetas,
Será o sopro gélido do inverno,
E a saudade dos que te encontrarão um dia
Na bela paz dos campos da eternidade.
Obrigada por tudo, Tio Zé!
Descanse em paz.
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