sexta-feira, 8 de março de 2019

Ruínas
















Amor, o mais doce de todos venenos
Engulo até a última gota deste licor
Buscando te forçar dentro de mim
Para me trazer um momento de verdade.

Minhas lágrimas são inúteis como meus gritos,
O passado já derrubou todas minhas peças
E minha rainha entre o inimigo e seu rei
Treme ao que há em suas costas mais do que à frente.

A poesia irrompe em muitos versos caóticos
Como minha mente que você chama de louca
Na tentativa de expor o cancro sentimental
Que devora a alma daqueles que foram quebrados.

Deixe-me sangrar mais uma vez como antes
Chore entre minhas coxas por seus pecados
Porque aquilo que era sagrado foi corrompido
E eu não sei como reconstruir as ruínas do que você destruiu.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Kafkaniana


















Um dia acordei e havia virado um inseto
Toda a culpa do mundo era meu peso
E cada erro que havia feito era um crime
Do qual nenhum ato bom meu seria lembrado.

Me definiam como asquerosa e detestável
E qualquer pessoa do mundo era melhor
Do que a imagem que havia em mim,
Não havendo beleza sequer em minhas palavras.

Todos apontavam os dedos dizendo conselhos
Sobre como eu havia me colocado naquela situação.
Todos abaixam seus olhos, ignorando a imprevisibilidade.
Eu era um inseto que não cabia amor ou perdão, apenas indiferença.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Deusa


Eu dei tudo que eu podia
Criei vida em cada parede
Trouxe cores para seu cinza
Dei forças para sua letargia

Eu gastei toda minha energia
Eu permiti cada vontade sua
Mesmo quando foram afiadas
E acabei machucando meu coração

Eu trouxe magia ao mundo
Coloquei toda minha luz
Em um pontinho e te entreguei
Quase me matando no processo

Me ajoelhei por meus pecados
Me rasguei por cada uma das suas dores
Aceitei teus açoites sob seu ódio
Ouvi sobre como era apenas um grão
No meio de toda areia de toda praia

Por fim eu não era suficiente
E o canto das sereias lhe levaram
Enquanto eu rasgava meu próprio peito
Para lhe entregar meu coração pulsante.