quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Última dança



Encarei-o como a última peça de minha coleção
E de fato, acho que era mais ou menos isso...
Molhei meus lábios na taça de vinho observando-o
Ele sabia que eu o chamava e correspondia isso no olhar.

Serpentiei até o outro lado, apenas começando o jogo
Ele completou me seguindo como um lobo faminto
Encarei-o como uma presa esperta e deixei a taça sobre a mesa
Ele me seguiu, pegou a taça e bebeu dela, me estendendo-a...

Sorri, ele aceitara todos meus convites até ali...
Deslizei até a pista e levantei meus braços mexendo os quadris
Ele me segurou por trás, respirando em minha nuca
Em um giro, taquei-me em seus braços e assim dançamos.

Ele me encarava como se eu pertencesse a ele
Eu sorria como se fosse valiosa demais pra ele
E nesse frenesi dançamos todas as canções...
Como se tudo a nossa volta não existisse...

Mas tudo é destinado a ter um fim... ainda não!
Eu o segurei e leve-o até o meu quarto de hotel
Luxúria, suor, danças freneticas, tudo tão belo...
Magia nos olhares, um gemido na escuridão do quarto

Maldita! Por fim a cor acinzentada, a última dança...
Maldição sem fim! Não me deixe agora!
Maldita! Não pare os ponteiros do relógio denovo
A tristeza e a minha vida... medusa maldita...

Um comentário:

Lacobos disse...

Adorei, principalemnte o final que na minha interpretação é extremamente tragicômico!
=D